quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Novos rumos

     Acho que chegou a hora de encerrar as atividades por aqui. Não sei dizer se isso será definitivo, mas por enquanto sinto que esse bloguinho (queridíssimo) já cumpriu mais do que o esperado. Criei o hábito de usar o papel para alguns pensamentos (é incrível como a adolescência passa e a necessidade de mostrar pro mundo nossos sentimentos também) e sempre que penso em escrever aqui, como os últimos posts demonstram, penso em como não falar de mim. Obedecendo essa vontade, decidi criar um novo cantinho para mim na interwebs e convido qualquer possível leitor desse espaço a acompanhar essa nova empreitada. Pretendo falar sobre livros lá! Talvez a vontade de comentar algo me traga de volta, talvez não. Enquanto isso, já sabem onde estarei.
     Por enquanto é só. Até mais e obrigada pelos peixes! Essa nuvemzinha negra está, por enquanto, se mudando para outra freguesia :)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

      Passeando por essa internet nova e sem porteira, encontrei um texto que me fez parar para refletir - o que em si é uma proeza, porque 99.9% dos textos que se julgam inspiradores acabam sendo um amontoado de clichês pouco, ironicamente, inspirados. Mas "Cetemque", do psicanalista Jorge Forbes (que pode ser lido aqui) ressoou comigo justamente por capturar bem uma verdade que vai, aos poucos, se infiltrando na nossa vida.
      Vivemos em um mundo governado pelo consumo e nossa mente é o principal objeto de desejo das grandes empresas. Querem regular nossos gostos, nossos sonhos, nossas dietas, nosso entretenimento, nosso modo de vestir. Tudo processado e ao seu alcance. E isso começa muito cedo. Cetemque ver esse desenho. Cetemque ganhar esse brinquedo. Cetemque se vestir e se comportar desse jeito. Somos todos domados desde cedo pelos "cetemque".
      Pois a única coisa que tenho que fazer é viver minha própria vida e não existe roteiro pré-determinado nem to do list pra seguir. Existe eu e um universo de possibilidades e as coisas que eu valorizo. Só. Cetemque fazer o que quer.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Dos aprendizados & descobertas

     Durante o primeiro semestre de 2013 dediquei-me exclusivamente à atividade docente. Como trabalho em um cursinho, existe certa mobilidade de alunos e turmas novas aparecem até que frequentemente. Adaptei-me a entrar na sala de aula pela primeira vez. E pela quinta, décima, décima quinta também. Aprendi que às vezes devo ser compreensiva e às vezes devo ser dura. Aprendi que impostação de voz é importante. Aprendi a me preparar e também a improvisar. Aprendi que confiança é necessária. Aprendi um monte de coisas, mas ainda existe outro monte a ser aprendido. 
     Descobri que gosto da profissão docente, principalmente quando é pra falar de Literatura... e que sou surpreendentemente boa professora de Redação. Descobri que não gosto de ralhar com os outros tanto quanto imaginava. Descobri uma infinidade de coisas. 
    Não sei quanto das minhas ansiedades sobre a sala de aula ficaram claras aqui. Elas existiam e eram muitas. Estou mais tranquila agora, porém longe de estar como gostaria de estar. Mas estou aprendendo. 

domingo, 21 de julho de 2013

alô alô, planeta terra chamando

     Dei uma sumidinha, né? Julho está sendo um mês divertido! A presença do namorado acaba me arrastando pra longe da tela do computador quando se trata de internet, mas me garante companhia para assistir muitas coisas e fazer muitos passeios! Estou planejando escrever aqui sobre o que carinhosamente apelidei de PROJETO BRYAN FULLER 2013 que consiste em... bom, assistir todos os trabalhos do Bryan Fuller (menos Star Trek, que atrapalharia um outro projeto que tenho e Heroes porque simplesmente desgosto de super-heróis) e descascar o abacaxi do decepcionante Dracula de Bram Stoker. Espero dar conta disso ainda em julho! 
    Mas esse post acabou sendo mais para dar um sinal de vida e para apresentar o novo morador da minha residência: Perebas, o hamster mais anti-social do mundo.


quem me perturba?
     Eu sou, na verdade, tia do Perebinha, já que ele é do meu irmão. É a primeira vez que temos um hamster aqui em casa, mas quando eu era criança tive dois esquilos da Mongólia. Perebas é surpreendentemente nervoso e não gosta muito de papo, preferindo ficar escondido e fazendo barulhos que devem ser o que ele considera ameaçadores para todo mundo. Ele é feliz em sua gaiola e não quer que o mundo o perturbe. Sábio Perebas.

domingo, 30 de junho de 2013

os livros mais lindos do mundo ou aquele post em que eu reclamo do mercado editorial nacional

      Em junho essas belezinhas entraram para minha coleção. The complete works of Shakespeare e The picture of Dorian Gray foram presentes dos meus pais pelo meu aniversário e The complete Sherlock Holmes foi de mim para mim mesmo, ha! Quando vi os preços justos e a qualidade dos livros, não resisti, mesmo sabendo que os que contém obras completas vão ser meio desconfortáveis para ler.

    Todos fazem parte de uma coleção de luxo lançada pela Barnes & Noble, feitos com o maior capricho e SUPER baratos quando consideramos o preço dos livros no Brasil. Custa o mesmo preço em um livro capa mole e com trabalho gráfico de gosto duvidoso por aqui, o que me deixa revoltada. Poucas editoras investem em lançar livros feitos com esse cuidado no nosso mercado e quando o fazem, os preços são uma verdadeira facada. Não sei exatamente o motivo por trás disso tudo, mas sei que quem sai perdendo com isso são os leitores que gostam de ter belos livros em sua coleção! Olhem a qualidade dos detalhes, o trabalho lindo... é daqueles livros que dá vontade de ficar só namorando.





o tamanho da criança!


detalhes ♥

     



domingo, 23 de junho de 2013

22 years of work in progress

      Completei vinte e dois invernos (afinal, nasci no primeiro dia da estação) recentemente. Sinto que estou em uma fase meio estranha, mas também sinto que ser adulto é estar em um eterno limbo esperando o que virá. Começo essa fase da minha vida formada, trabalhando e mesmo assim... sentindo que tudo pode mudar a qualquer momento. Eu sei que a segurança que eu desejo é na verdade um resquício de saudade da infância. 
     Algumas respostas foram surgindo nesses meses e parte delas foi o resultado de um esforço consciente rumo ao mito da auto-estima. 
      Sempre tive uma relação estranha comigo mesma - ao mesmo tempo que reconhecia ser uma pessoa capaz, me sentia relutante em admitir isso (apesar de relutar um pouco menos quando o assunto era realizações intelectuais). Mesmo assim, sempre sentia a necessidade de me diminuir, de lembrar que existiam pessoas melhores do que eu. Nos últimos dois anos, no entanto, percebi que precisava mudar minha atitude e comecei a trabalhar nisso. 
       Tudo começou com leituras. Defenderei eternamente que o feminismo é uma das melhores coisas que pode acontecer na vida de uma mulher e foi ele que me empoderou para encarar algumas questões de frente. Na pré-adolescência, minha reação ao perceber que o olhar masculino (male gaze) se voltava para mim foi me esconder. Por muito tempo calça e blusas largas foram um uniforme capaz de me esconder... e portanto, confortáveis. Era mais do que a constante comparação com os padrões de beleza (que sim, também pesava muito), mas também a consciência de que pessoas que eu sequer conhecia se sentiam no direito de me julgar pela minha aparência. Senti muita raiva por isso. Senti muita vontade de ser "linda". Senti muita vontade de ter a aparência mais genérica e banal do mundo e nunca chamar atenção para mim mesma. A segunda parte parecia mais fácil, então investi nela.
       Com o tempo, isso mudou. Não porque passei a querer chamar atenção, mas sim por passar a ver essas coisas como divertidas... roupas, sapatos, corte de cabelo... brincar com a própria aparência, deixar o que gosto influenciar isso, ver nas fotos como mudei. Perdi a aversão que sentia pela ideia de me arrumar e me sentir bonita. Parte do motivo por trás dessa mudança foi a consciência de que eu me arrumo porque isso me alegra, mas que não é uma obrigação. Eu não devo nada a ninguém. Não preciso ser bonita para merecer estar nesse mundo, tenho tanto direito a ele quanto qualquer outra pessoa. E eu acredito que todo mundo merece estar nesse mundo e usufruir dele... não importa quem você seja. Se alguém não me achar bonita isso é absolutamente indiferente. Sobre esse assunto, leituras feministas pela internet e O mito da beleza de Naomi Woolf com sua perspectiva histórica me ajudou bastante (ai, ai, preciso ler esse livro de cabo a rabo! confesso que li capítulos aleatoriamente e preciso URGENTE me dedicar um pouco à essa obra). 
       Existe mais do que beleza e mesmo quem a possui está fadado a se ver sem ela eventualmente. Eu sou uma pessoa inteligente, eu sou uma pessoa boa, eu sou eficiente em meu trabalho, eu sou boa filha, eu sou boa namorada, eu procuro ser boa amiga (ah, esse ponto é o que mais me deprime! mas um dia isso muda, eu sei!). Proibi-me de questionar essas coisas e passei a aceitá-las. Aceitei porque meus resultados são bons, porque as pessoas me amam e o demonstram. Eu existo nesse mundo e eu faço algo por ele positivamente todos os dias e esse algo vai desde os esforços para ser boa professora, cuidar de quem amo até postar links no facebook na esperança que alguém leia e questione as coisas que destroem a auto-estima alheia (o machismo, a homofobia, o racismo...) e incentivam as pessoas a internalizarem o ódio que a sociedade quer fingir ser normal. 
          Por que me importar com quem aprende a ver beleza com televisão e revista? Aliás, por que me importar com quem aprende TUDO assim? Procuro me policiar o máximo para não julgar ninguém pela aparência - só me permito esse tipo de pensamento quando sei que a pessoa é feia por dentro também, mas até essa feiura tem jeito e sei que me encontro culpada nesses casos. Tento pensar nos outros com mais gentileza. Procuro admirar quem tem auto-estima. Entendo que muita gente só é bem sucedida em esconder suas inseguranças. Se eu falho? Muitas vezes! Mas continuo tentando melhorar e pensar nos outros com gentileza. Ainda hesito em me arrumar e um comentário elogioso ainda me faz ter vontade de voltar pra casa, colocar um moletom e nunca mais sair. Ainda sinto vontade de fugir quando percebo algum homem reparando em minha aparência. E acho que sempre sentirei, porque isso é algo que faz com que qualquer mulher se sinta vulnerável e diminuída quando surge aleatoriamente, sem convite nem reciprocidade. Mas aprendi a aproveitar quando há reciprocidade.
             Olhar para os outros com mais gentileza fez com que eu aprendesse a fazer o mesmo quando olho para mim. Não sou perfeita. Os padrões de beleza existem para não serem atingidos e de que adianta chorar por algo assim? Ainda estou descobrindo quem sou e do que sou capaz. Não há porquê ser tão dura comigo mesma. Sempre surgirão dias ruins... mas conseguir pensar nesses momentos com clareza e discernimento é o caminho para torná-los fatos isolados. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

pequenas aventuras: junho, smartphones, amenidades, aulas e seriedade.

     Junho é meu mês favorito pelo motivo mais egoísta do mundo: o acumulo de datas que obrigam as pessoas (e, em especial, o sr meu par) a me mimarem! Mwu-hua-hua! Mas me surpreendi com um mês lotado de coisas para fazer e com muitas aulas para preparar, uma tarefa especialmente trabalhosa quando se é responsável pela elaboração total do material usado. Pra somar ainda mais, minha casa está em reforma (essa semana acaba, finalmente!), então o resultado foi um junho de pernas pro ar.
      Apesar disso e apesar de alguns momentos ruins - que estou colocando na conta do inferno astral - junho sempre me deixa feliz. Chegamos na metade de 2013. Existe um longo caminho a ser percorrido e mil coisas que desejo fazer ainda, mas várias coisas incríveis aconteceram. 
      Em meio a tudo isso, decidi fazer algo que tinha-vontade-mas-não-achava-que-tinha-mesmo: comprei um smartphone, desses modernosos que rodam mil aplicativos. Parte de mim é entusiasta das redes sociais e acha isso incrível, parte de mim acha a ideia de ter acesso à internet o tempo todo pavorosa. Mas, como sou relativamente jovem, percebi que uma hora teria que ceder. A experiência tem sido positiva, porém não sei se tive o impacto total da coisa uma vez que me recuso a usar coisas como o famigerado whatsapp. Eu sei, vivemos a era da conectividade, mas respire fundo e repita comigo: eu não preciso estar disponível o tempo todo, eu não preciso estar disponível o tempo todo, eu não preciso....
     E em tempos de conectividade, assisti também o começo de um "levante" do povo brasileiro. Caso você tenha se isolado do mundo de alguma forma e não saiba, começou em São Paulo e se espalhou pelo Brasil um movimento protestando a qualidade do nosso transporte público e questionando o modo como o dinheiro arrecadado pelo governo é empregado. A repressão violenta da PM do estado só deu mais força ao movimento enquanto a informação alcança cada vez mais pessoas pela internet. Minha cidade (que tem um dos piores transportes públicos que já vi, afinal, não podemos contar com um sistema de ônibus e muito menos um terminal - por mais pré-históricos que fossem os ônibus de Araraquara, cara... eram muito melhores) já se organizou e está participando. O trânsito vai ter que parar para voltar a funcionar. 


      Junho traz o inverno, mas esse inverno veio com clima de mudanças. Viram como é um mês legal? Pequenas amenidades ou grandes revoluções, pensar nisso tudo me deixa com um sorriso no rosto.